quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Salada Diferente 🥬

2 de 365 - Receitinha Diferente

Dando uma geral em arquivos antigos, encontrei apostilas de cursos de culinária vegetariana que ministrei como voluntária em um espaço muito legal há uns anos.

Essa receita é diferente, com temperos que a maioria de nós não usa habitualmente; mas mesmo que você não conheça a assafétida, vale a pena experimentar.

Kobi Pachadi (Salada de Amendoim e Repolho)

Ingredientes

  • ½ repolho bem cortado em fatias finas (aproximadamente 6 xícaras)
  • 4 tomates médios, finamente cortados
  • ½ xícara (chá) de amendoim torrado e moído
  • 2/3 xícara (chá) de coco ralado (preferencialmente fresco, se de pacotinho hidratar conforme instruções do fabricante)
  • 1 colher (chá) de sal
  • 1 colher (chá) de açúcar mascavo
  • 6 colheres (chá) de suco de limão
  • 2 colheres (sopa) de azeite ou óleo
  • ½ colher (chá) de semente de mostarda
  • ½ colher (chá) de semente de cominho
  • ¼ colher (chá) de curcuma
  • ½ colher (chá) de assafétida amarela em pó (não é tão fácil achar, então pode omitir da receita)
  • 1 colher (sopa) de pimenta malagueta verde sem sementes
  • 4 colheres (sopa) de folhas cortadas de coentro fresco

Modo de Fazer

  • Coloque o repolho, o tomate, o amendoim, o coco, o sal, o açúcar e o suco de limão em uma tigela grande, misture bem e reserve.
  • Frite as sementes de mostarda, as de cominho, a curcuma, a assafétida e a pimenta, por um minutinho. Cuidado para não queimar.
  • Retire do fogo e adicione ao repolho. Misture a salada completamente e enfeite com folhas de coentro fresco, sirva gelada.

(Rende 6 a 8 porções)

Infelizmente das vezes que fiz não fotografei... fico devendo.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

2025

Ano Novo - Calendário Novo - Sonhos Novos ou Velhos

Mas um Bom Ano começa quando você toma um bom café!

E assim, com café e foto tremida, iniciamos a postagem de 1 de 365.

Espero conseguir chegar ao 365 de 365.

Sou péssima com selfies...

domingo, 27 de outubro de 2024

Poesia, Broa e Política: Recordações de uma Época

I - Sobre Poemas em Forma de Música

Canção para Ninar Gente Grande - Luiz Vieira (12/10/28 - 16/01/20)

Quando estou nos braços teus
Sinto o mundo bocejar
Quando estais nos braços meus
Sinto a vida descansar

No calor do teu carinho
Sou menino passarinho
Com vontade de voar
Sou menino passarinho
Com vontade de voar...

II – Sobre Jânio da Silva Quadros

Conheci o senhor Jânio talvez nos anos 60, não recordo bem o ano, pois eu era muito pequena, com 5 ou 6 anos. Foi lá na Vila Santa Maria, bairro onde cresci, mais especificamente na Rua Luiza, no bar do “seu” Giacomo. Por algum motivo, o senhor Jânio estava por lá.

O bar do “seu” Giacomo era um misto de bar e padaria. Íamos ali todos os dias comprar pão e leite. Naquela época, o leite vinha em garrafa, e nós o trazíamos para casa numa leiterinha de alumínio. Os pães eram a bengala, o filão, o pão de leite (uma espécie de bisnaguinha) e a broa de milho – a melhor broa de milho do mundo! Já procurei, já fiz, e nunca mais encontrei uma broa tão gostosa. Com manteiga e chá mate nos finais de tarde, era felicidade pura!

Voltando ao senhor Jânio, meu pai e meu avô estavam lá e lembro de ter sido apresentada a ele. Ele ajeitou meus óculos, talvez imaginando uma futura eleitora, quem sabe.

Muitos anos depois, muitos mesmo, tive a oportunidade de reencontrar o senhor Jânio, desta vez na agência de publicidade onde eu trabalhava, que fazia parte da propaganda eleitoral em 1985 (lá se vão 39 anos). O Ivan, coordenador na agência, numa sessão de fotos, pedia ao Jânio:
– Sorria, senhor Presidente! (Alguns o chamavam assim.) A foto vai ficar melhor se o senhor sorrir.

Ele respondeu algo assim:
– Sorrir por quê, meu filho? Não temos motivos para sorrir.

E falou mais alguma coisa que, sinceramente, não recordo. Ele era muito sério, cumprimentava-nos com afeto, mas sem sorrisos. Era uma figura.

Mas, naquela eleição, não votei nele.

Em tempo: Tive um broche de vassourinha da campanha de 60. O jingle da campanha era algo como (letra resgatada graças à pesquisa na internet, pois não me lembrava ao certo):
“Varre, varre, varre, varre, varre, varre, vassourinha.
Varre, varre a bandalheira.
Que o povo já está cansado... de sofrer dessa maneira.”

Enfim, como dizia a deliciosa marchinha carnavalesca Recordar é Viver (Carnaval de 1955 - Aldacir Louro, Aloysio G. Marins e Adolfo J. Macedo).

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Entre Livros e Memórias

Entre Livros e Memórias

A primeira vez que ouvi falar em O Morro dos Ventos Uivantes, eu tinha 9 anos. Foi em uma novela na já extinta TV Excelsior, nos idos de... bem, é melhor deixar para lá.

Era um horário em que as crianças já deveriam estar dormindo, então nunca cheguei a assistir a nenhum capítulo inteiro. Lembro-me de haver uma música na abertura e, depois de alguns capítulos, recordo vagamente que o fantasma de Catarina chamava por Heathcliff, ou algo assim.

Passaram-se alguns anos e, já adolescente, peguei um exemplar emprestado de uma amiga. Abri e fechei o livro mil vezes, mas nunca passei das páginas iniciais. O mesmo aconteceu com O Grande Gatsby: nunca passei do Capítulo 1. Mas, pelo menos, assisti ao filme com Robert Redford e Mia Farrow, lá pelos idos de 74. – O livro? Devolvi para minha amiga Célia, se não me engano.

Depois de muitos e muitos anos sem ouvir falar em O Morro dos Ventos Uivantes, eis que ele é mencionado na saga Crepúsculo, Twilight, que me chamou a atenção lá pelos idos de 2009, com o lançamento do segundo filme. Me interessei pela saga, li todos os livros e, ao ver a referência, pensei: “Qualquer hora, tenho de ler O Morro dos Ventos Uivantes.”

O tempo passou... acabei por esquecer de O Morro dos Ventos Uivantes. Até que, de repente, Kate Bush reapareceu loucamente na internet cantando Wuthering Heights, e ficou aquela pulguinha atrás da orelha – O Morro dos Ventos Uivantes, o livro que não li.

E ficou na lista de pendências. Na frente, entraram O Falecido Mattia Pascal, de Pirandello, leitura difícil, mas que desperta curiosidade de chegar ao final, O Senhor dos Anéis – como não amar Tolkien? (estou relendo aos poucos) – e Noites Brancas, de Dostoiévski, iniciando a quarta noite apaixonada pela escrita poética e envolvente.

E O Morro dos Ventos Uivantes, você me perguntará? Bem, consultei o Kindle e alguns sites de livrarias, mas fui protelando.

Hoje, passando em frente a um sebo, resolvi entrar à procura de um livro que tinha certeza de que não encontraria lá. E, assim, sem mais nem menos, uma linda edição de O Morro dos Ventos Uivantes praticamente se atirou na minha frente por módicos 12 reais! Não resisti, e o livro está lá na estante, o próximo da fila. Espero que desta vez consiga ir até o fim da leitura.

E quem sabe o próximo seja O Grande Gatsby? Afinal, nunca passei do primeiro capítulo.

sábado, 5 de outubro de 2024

Ecos de Frank: Notas de Amor

Resgatei este texto de uns 20 anos atrás, perdido nos arquivos do meu notebook, onde compartilho uma jornada de música, saudade e até amor platônico que (ainda) vive no coração. Vem comigo nessa viagem ao passado.


Hoje acordei de banzo. Estranhando o termo? Banzo é uma nostalgia mortal, que fere a alma tão profundamente que parece que vamos morrer, e às vezes isso acaba por acontecer.

Mas o meu banzo é mais ameno, chega a ser suave, melancólico talvez, ainda que cause dor. Mas o amor é assim, dor de amor é assim, banzo de amor também.

Difícil falar do amor que sentimos por alguém que já se foi e sequer soube que você existiu. Sim, de quem já se foi, você leu direitinho.

Sabe, existem pessoas que não morrem na vida da gente, e ele é uma delas, assim como o Senna, o Harrison, o Lennon, a Jackie, a Marilyn, o Gardel e tantos outros, dependendo do gosto de cada um.

Hoje acordei tarde, perdi a hora e, ao ligar o rádio — incrível — o rádio estava fora da estação usual. Acordei ao som das músicas às quais ele tão maravilhosamente deu vida: Let Me Try Again, You Are the Sunshine of My Life, I've Got You Under My Skin. Ficaria ali deitada ouvindo suas músicas por horas, não fosse a programação da rádio ter outras coisas para falar, outras músicas para tocar.

Vou te falar do meu banzo, quem sabe assim eu consiga fazer parar estas gotinhas salgadas que meus olhos teimam em produzir.

Ele me encanta, é assim desde os meus 14 anos. Eu queria ser a Mia Farrow. Uau! Na minha modesta opinião, ela o encontrou na melhor fase: madurão... uau de novo.

Eu estive lá no Maracanã, ouvi o seu canto sessentão. Falaram tanta bobagem: que ele não cantava mais, que iria ser playback. E foi tão lindo, estupendo, a voz mais encantadora que já ouvi. Não vi muito, estava longe naquele estádio imenso; aquele pontinho no centro do campo era o meu maior ídolo. Mas, naquele instante, ele era meu, somente meu — para os meus ouvidos e sentimentos, para o meu coração, que batia tão forte, querendo sair pela boca, correr lá, entrar dentro do coração dele e ficar eternizado em alguma canção.

Naquele dia, todas as canções cantadas foram para mim. Isso é o que há de mais especial nele: cantar como se cantasse individualmente para quem o escuta.

Uma amiga me mandou um e-mail dia desses com um trecho de uma música, uma foto. Abro sempre, escuto, olho e amo, amo e amo.

Hoje, ao acordar com as músicas dele, fiquei pensando que algumas pessoas deveriam ser eternas, não deveriam partir jamais. Na verdade, acho que não partem, se ficam morando assim na alma da gente, emocionando, encantando, vivendo dentro de nossos corações.

Agora coloquei um CD, ouço minha favorita: Fly Me to the Moon. Ah, agora toca Old Man River — não sei se o título é esse, mas que importa?

E assim, nesse meu banzo nostálgico, resolvi viver este dia. Não vou trabalhar, não atenderei telefones. Ficarei em casa, eu e ele, ele e eu. Por que tudo isso? Talvez porque, há já uns trinta e poucos anos, ele viva em meu coração. Acho que é amor, ainda que tenha sido platônico. Porém, tenho certeza de que, na próxima vez que passarmos por aqui, a história será outra: ... because night and day you are the one, only you beneath the moon or under the sun, whether near to me or far, it's no matter darling where you are, I think of you day and night...

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

"Uma Viagem no Tempo com Paul McCartney: De One Hand Clapping à Depressão Pós-Paul"

Ontem foi o Dia do Aperitivo: Dia de Paul McCartney And Wings: One Hand Clapping: Que delícia de documentário!

Acompanhar um pouco do processo criativo de 1974, ouvir os depoimentos e as músicas que continuam tão atuais é um presente!

Sou suspeita para falar de Paul McCartney. Ele, para mim, é como aquele vinho especial com denominação de origem. Sim, sou uma fã um pouco fora da caixinha. Infelizmente, não fui ao show de 1993 aqui em São Paulo, mas, desde 2010, dou um jeito de viver essa experiência única que é um show dele. Aliás, depois de qualquer show do McCartney, a régua de exigência para outros shows sobe bastante.

Com o tempo a voz ganhou outros timbres e o seu carisma só se intensifica.

Ontem, no cinema, foi difícil me conter balbuciando as músicas e tamborilando os dedos, pois a vontade era de cantar — e cantar alto! Não, alto é pouco... muito alto! E dançar, dançar muito.

Acho estranho quem não balança a cabeça nem um tantinho. Não posso dizer que eram a maioria, mas aqueles que estavam à minha frente pareciam imóveis. Tirei uns momentos para observar: quietinhos, paradinhos, sem nenhum movimento aparente. Como conseguem?

Voltando ao documentário, foi uma viagem no tempo, desde as roupas até as lembranças daqueles que já não estão mais conosco, como a Linda. E os comentários após os takes! Pense em uma gravação em vídeo tape — parece loucura nos dias de hoje.

E ouvir as grandes estrelas, que são as músicas! Músicas que o Macca ainda toca em seus shows atuais e que, mesmo depois de tantas audições, ainda emocionam.

A orquestra em Live and Let Die, com alguns tocando, outros lendo jornais ou fazendo um lanchinho, além de alguma graça aqui e ali — achei incrível. Na minha santa ignorância, imaginei que uma gravação com uma orquestra seria quase como uma oração em um templo, algo sagrado. Interessante como, pelo menos dentro do documentário, essa ideia caiu por terra.

E, por fim, as músicas que ele tocou ao violão naquele pequeno jardim: simples, perfeitas, cativantes.

Assim, após um vídeo tape de 50 anos atrás, eu me vi ainda mais encantada por este senhor — tão jovem — Sir James Paul McCartney. Ele sempre deixa aquele gostinho de quero mais, um sentimento que alguns fãs aqui no Brasil chamam de DPP — Depressão pós-Paul, aquela sensação de vazio e saudade que bate forte depois de um show ou qualquer experiência marcante com ele.

Próxima parada: Got Back! See you there, Macca!

terça-feira, 24 de setembro de 2024

Reabrindo as portas "Entre Páginas e Pixels"

Depois de um tempo afastada, resolvi reabrir as portas deste espaço que, por algum tempo, foi meu cantinho de reflexões e escritos. O blog Viver e Ser Feliz - Just It está de volta! Aqui, vou compartilhar crônicas, reflexões e momentos do meu cotidiano. Espero que minhas palavras encontrem vocês com o mesmo carinho e entusiasmo com que foram escritas. Vamos juntos, mais uma vez, redescobrir a alegria nas pequenas coisas da vida.

"Entre Páginas e Pixels" por Elaine Brunialti

Preciso terminar os livros que comecei a ler. Todos eles estão parados na memória do meu e-reader. Não gosto de ler no Kindle; é extremamente insípido, incolor, inodoro, inaudível — só não é invisível, embora às vezes pareça.

Chamam de livro, mas para mim é apenas uma leitura eletrônica, nem sei se esse termo existe. Livro, para mim, é papel: capa dura ou mole, edição de luxo ou econômica.

Gosto de folhear as páginas, do cheiro do livro, seja ele novo, cheirando a tinta fresca, ou velho, com cheiro de guardado. Livro é tato, visão, olfato e audição. Você toca, lê, sente o cheiro e ouve o farfalhar das folhas. Pode até ser paladar, se o livro lhe trouxer, por algum motivo, água na boca.

Você coloca o marcador de páginas ou, naquela página especial, pode até dobrar uma orelha, ou quem sabe marcar a borda com um marca-texto lilás. Você pode chorar e deixar uma marca do seu sentimento na folha, colocar uma flor ou um papel de bala entre as páginas e ali esquecê-los, até que um dia, ao reler, encontre um pouco da sua história dentro da história do livro.

Sem falar na gramatura do papel; gosto de gramaturas mais pesadas, gosto de textura. Dá para sentir a diferença ao folhear uma apostila de papel sulfite 75 gramas por metro quadrado, ou um livro impresso em papel pólen, com sua cor amarelada e toque rústico, eu diria nobre.

Aquele livro que você mais gosta, que relê sempre que pode, sabendo até que, na página 58, é onde a protagonista encontra seu amor ou sua rival pela primeira vez. E, nos romances, você fecha os olhos, leva o livro junto ao peito e sente o peso das folhas como uma carícia. Quando você se aborrece com o desenrolar da história, pode fechá-lo com raiva e olhar para ele de lado. Se for de terror, pode guardá-lo debaixo de todos os outros livros, com medo de que o vilão ou o monstro escapem durante a noite.

Mas, por falta de espaço, ou para me modernizar, comprei meu leitor eletrônico, e os livros vão ficando lá, guardados sem ocupar espaço, sem pó nem ácaros, sem flores ou papéis de bombons. Sem aqueles salva-páginas de fitinha de cetim desbotado, ou o marcador-brinde da livraria com um novo lançamento, ou um feito por você — o que fiz era de acetato, pintado com mandalas de verniz vitral, e está perdido em algum livro antigo. Qualquer dia desses o encontro, ao buscar um livro para reler, para matar a saudade, não só da história que ele conta, mas de todos os estímulos que despertam os sentidos.

Enquanto isso, vou carregar meu e-reader, tadinho, desmaiou por falta de bateria, enquanto eu recomeço a ler Noites Brancas — impresso —, emanando tinta e me permitindo ler a última linha do último parágrafo, num folhear rápido, buscando desvendar o destino de Nástienka."

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Nostalgia - by Elaine Brunialti

Nostalgia - doença ou tristeza profunda, causada pela saudade...

Meu peito anda arrebatado,
Ele arfa triste e sem ar.
Nadando nas profundezas
da alma impregnada de saudade.

Meus olhos transbordam agonia.
Marejam revoltos e sem vida,
em busca do tempo perdido.
Visões que não aconteceram.

Minha boca busca sedenta
sabores que deixou escapar.
Traz notas de amargo rancor,
na saliva grossa, cheia de nódoa,

Meus ouvidos já não escutam
as lamurias que vão distantes.
Ocultando o som das tormentas
que retumbam nos tímpanos surdos.

Meu corpo jaz cansando, inerte.
Buscando forças em tênues brumas,
como uma marionete zonza,
nos fios da existência vazia.

Minha alma, no purgatório eterno.
Vivendo vidas que não são suas.
Cantando canções que não dizem nada.
Dançando na vida alheia os sonhos
que nunca viveu.

Nostalgia de tudo,
e nada foi meu.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

COME BACK TO BRAZIL Paul, Brian, Abe, Wix and Rusty. #ComeBackPaulBR

"A dream when you dream alone is a dream. A dream when you dream together is reality"
"Uma pessoa sonhando, é um sonho, Duas pessoas sonhando é uma realidade" (John Lennon)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Transcender por Elaine Brunialti

Vejo-me agora como um ponto no universo, sem lugar definido, isto é nem longitude nem latitude fazem parte de mim.


Não existo para nenhum lugar e nenhum lugar existe mais.

Sou um átomo perdido, parado, trancado num quadrante do espaço imaginário onde sou o centro e tudo se passa ao meu redor.

As pessoas, os lugares, as situações, os sentimentos, tudo é imaginação e realidade, verdade e mentira, reto e oblíquo.

O foco de tudo se prende no espaço ínfimo da realidade onde minha consciência vive.

Algo como Matrix, se me é permitido exemplificar.

Assim, creio que tudo transcorre ao mesmo tempo, passado, presente e futuro amalgamados em um intervalo.

Um século contido num segundo, que se tornará a fração de tempo suficiente para se viver ou morrer, e a tênue distância entre a sanidade e a loucura deixará de existir.

Posso estar na Terra ou em Vênus, Andrômeda ou navegando pela Via Láctea.

Posso ser qualquer ser, estando viva, mesmo que para alguns a morte tenha me levado.

Posso voar, cingir os céus com meus temores e clareá-lo com minhas ilusões.

Seguirei pelo espaço na nave da minha alma, que vislumbra no horizonte a distância que existe entre estar viva e não crer - que leva ao inferno.  Ou estar morta e querer viver que leva aos céus.

Mas enfim, transcender é o que me resta, afinal a luz sempre vencerá as trevas.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Receita de Lassi de Gengibre - Ginger Lassi Recipes

Então saindo um pouco da música, do show, dos meus movie maker e dos vídeos que postei e o pessoal de direitos autorais bloqueou, das minhas  poesias e textos.
Hoje resolvi postar a sugestão de um refresco que fiz ontem.
Foi baseado no Lassi, resfresco de origem indiana, que tem como base o iogurte natural, diluido em muitooo gelo e às vezes um pouco de água, se necessário, um fruta ou especiaria e algo para adoçar.


So leaving aside the music, the show, my movie maker and videos that I posted and the staff copyright blocke, and texts and poems I wrote.
Today I decided to post the suggestion of a soft drink I did yesterday.
Lassi was based on the refreshmente of Indian origin, wich is based on yoghurt, diluted with lots of ice and sometimes water (if necessaire), a fruit or spice and something to sweeten.

Lassi de Gengibre   (Ginger Lassi)
Um pote de iogurte natural  (A pot of yogurt)
2 colheres de sopa de gengibre fresco ralado (2 tablespoons grated fresh ginger)
gelo à gosto (ice to taste)
mel ou açúcar à gosto (honey or sugar to taste)
Liquidificar tudo e coar (para tirar os fiapos do gengibre) Blender and strain it (to take the lint from ginger)

Para adoçar fica mais gostoso com mel, eu uso mais gengibre também pois gosto do sabor picante.
Para servir decore com folhinhas de hortelã.

To sweeten with honey is tastier, I use more ginger also because I like the spicy flavor.
To serve garnish with mint.

domingo, 3 de outubro de 2010

I'll always love you e Serenata: música e poesia na madrugada...


Serenata (Cecília Meireles)

Permita que eu feche os meus olhos, pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora, e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça: que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio, e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo.

Boa música e excelente poesia!
Embalando a madrugada......... bons sonhos, boas lembranças, boa noite!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cotidiano (ou Mariana e Pedro)

Mariana vivia sua mocidade tranqüila como toda garota deveria viver.
Boa família, de boas posses, bons colégios,
bons amigos, uma vida confortável, feliz.
Um dia Mariana conheceu Pedro.
Pedro também vivia sua mocidade tranqüila, boa família,
de boas posses, tudo igual em peso e medida
a se comparar com a vida de Mariana.
Então logo começaram a flertar, sair, namorar, noivar e passo seguinte casar.
E assim foi.
Mariana se formou no normal, como era de costume das moças de boa família e foi dar aulas.
Fazer carreira como sua mãe.
Pedro se formou em economia, prestou concurso e foi trabalhar no banco do Brasil.
Fazer carreira, como seu pai.
Assim, logo puderam casar. Dos pais ganharam a casa, de frente ampla e com garagem, na Vila Mariana.
Era confortável, três quartos e dois banheiros, sala de jantar e de visita,
copa cozinha azulejadas de branco e nos fundos a edícula
onde ficava o quarto da empregada e a lavanderia.
Recém-casados já possuíam geladeira e TV. Coisa rara em jovens casais naquele tempo.
Mas a sorte bafejava benesses para Mariana e Pedro.
Viviam felizes e vieram os filhos – quatro. Dois meninos e duas meninas.
Mariana então deixou a escola seus alunos e passou a viver para sua família,
como sua mãe, sua avó e sua bisavó haviam feito.
Pedro fez carreira no banco, e vivia para prover sua família,
como seu pai, seu avô e seu bisavô haviam feito.
E assim foram passando aniversários, páscoas, natais, carnavais, anos novos, sempre velhos.
E a vida seguia feliz.
As crianças cresciam, Mariana emudecia, Pedro não mais sorria, mas eram uma família feliz.
Pois tinham agora dois carros, TV colorida, uma casa maior e os filhos mais velhos imagine estudavam no Mackenzie.
E tudo era exatamente como deveria ser.
Uma família feliz como haviam sido felizes seus pais, avós e bisavós.
As crianças se casaram e agora havia netos.
Venderam a casa a foram para um lindo apartamento em frente ao Ibirapuera vista maravilhosa.
Ali viviam Mariana e Pedro, agora mal se falavam, mal se tocavam, mas eram um casal feliz.
Um dia Mariana levantou, passou as mãos pelos cabelos grisalhos e sem vida, observou as rugas em seus olhos, seus lábios pendiam caídos em direção ao chão numa expressão seca, como sua alma.
Mariana saiu.
E ao contrario de sua mãe, avó e bisavó, ela não mais voltou.


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Madrugada de Segunda-feira

um poema de Hilda Hilst:

Vem dos vales a voz. Do poço.
Dos penhascos. Vem funda e fria
Amolecida e terna, anêmonas que vi:
Corfu. No mar Egeu. Em Creta.
Vem revestida às vezes de aspereza
Vem com brilhos de dor e madrepérola
Mas ressoa cruel e abjeta
Se me proponho ouvir. Vem do Nada.
Dos vínculos desfeitos. Vem do Nada.
Dos vínculos desfeitos. Vem dos ressentimentos.
E sibilante e lisa
Se faz paixão, serpente, e nos habita.

um poema de Elaine Brunialti
VIDA
Sansara,
A roda da minha vida.
Vivendo, morrendo, vivendo.
Eternamente.
Presa a armadilha ilusória.
Pensando-me ser vivente.
Morrendo, entretanto, sempre.
Ilusão da vida diária.
Onde o suicídio é contínuo.
Vivo, sem saber-me morto.
Morto, sem saber-me vivo.
Mas sabidamente preso,
a minha sansara.
Que por livre e espontânea culpa,
Prendi-me.
BOA SEMANA A TODOS - SEJAMOS FELIZES

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Talismã - um texto antigo de 2004


Sobre a cama desfeita deixou o antigo pingente, onde um dia se encontravam quatro pequenas luas. Hoje restava apenas uma, a negra, a nova que incoerentemente não representava o novo, o reinício e sim o fim, talvez por isso negra...

...julho corria tranqüilo e frio, o silêncio da noite era quebrado apenas quando as ondas arrebentavam ultrapassando o quebra-mar, fato comum nas noites de lua plena, e ao atingirem seu clímax com um enorme estrondo costumava causar medo. Apreciar aquele momento do alto do penhasco era o melhor se que podia fazer antes de romper definitivamente com o passado.

Ao longo daqueles dez anos pouco havia mudado naquele cenário, as luzes distantes da cidade a sudeste e a esquerda a pequena vila de pescadores, hoje quase extinta.

Minha alma voltou aos dias em que a vida não era nada mais senão riso e brincadeira, férias eternas, entre a pequena aldeia e o imponente chalé do alto da Escarpa Carmim, como era chamada a falésia que se erguia majestosa há poucos quilômetros da vila.

Agora a visão da casa não passava de um fantasma que tentava desesperadamente se manter erguido, almejando inutilmente escapar do tombo fatal e ali também morreriam todas as recordações que agora a faziam sofrer. Tudo começou com o pequeno talismã e tudo terminaria com ele.

Por 10 anos viveram tudo que poderia ser vivido e fizeram tudo o que poderia ser feito para eternizarem a felicidade, onde o destino era traçado, onde as paixões eram vividas, onde não se esperava por nada nem por ninguém. A vida era assim sem cobranças, sem traumas, sem medos, sem pecados.

A vida era vivida e vívida, como costumavam dizer. A única regra: a verdade fosse ela qual fosse.

Daí o talismã, um pingente, quatro luas, quatro fases, quatro vidas uma para cada lua, unidas pelo amor e pela verdade.

A primeira lua se foi quando Ana se apaixonou, foi-se a lua cheia. Assim, Raquel que um dia foi crescente trocou com Maria, pois queria ser minguante para morrer, mas longe dali sobreviveu.

Maria me jurou amor eterno, fosse a sua lua qual fosse, mas ao receber a lua crescente desejou que lhe crescesse o ventre como a lua que tinha no peito, para isso outro amor e o ventre livre para conceber.

Assim fiquei nova e só, revivendo todas as fases que agora só a mim pertenciam e que minhas lembranças faziam sempre se renovar. Há pouco soube que minha Maria, meu bem querer, e todo o seu brilho crescente também se foi. De seu ventre outra Maria brilhou, mas o destino impiedoso, em troca, a levou. Assim de nova me fiz lilith.

Nada me resta a não ser abandonar esta vida, entregando-me a noite fria, a fase negra - onde nada vive, onde nada temerei, onde a saudade não existirá e o amor perecerá para sempre.

Na cama o último sonho do amor, o último fantasma, a última gota de perfume, a última lágrima de saudade, a última esperança do retorno.

Em algumas semanas sentiriam minha falta. Na casa encontrariam uma cama desfeita uma foto, em preto e branco, rasgada e um pingente onde uma lua nova jazia sozinha. Talvez procurem por mim, talvez não, afinal eu sempre dizia: - qualquer lua dessas partirei também...

... sobre a cama desfeita deixou o antigo pingente, onde um dia se encontravam quatro pequenas luas, quatro vidas, quatro amores. Restou apenas uma - a negra.
Na pequena vila de pescadores corre a lenda de que aquela que não aceitou a verdade e se matou por amor vaga errante através das falésias nas noites de lua nova a espera de sua Maria.

2004 Elaine Brunialti

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Reminiscências.......


O aroma do incenso de baunilha perfuma o ambiente e enche minha alma de reminiscências, tão antigas quanto ela.
Ao que parece minh'alma é bem velha.
Viveu tantas e tantas vidas e hoje sente saudades de alguma delas em especial. Não sei, não nos é permitido saber.
Apenas sei que hoje algo teima em fazer meus canais lacrimais se exercitarem, nesta manhã ensolarada e fria de inverno.
Me sinto assim frágil como a petala de rosa que cai suavemente, de seu cálice protetor, deixando a vida para trás.

Delírio - por Elaine Brunialti

Quero ser tua deusa e te quero meu deus.

Ainda que de joelhos tenha de lhe implorar.
Coloca luz e calor em minha vida cinzenta.
Vou dizer que te amo sem me envergonhar,
Ainda que muitos tenham de sair feridos.
Faz minha vida ter algum sentido,
Já não me importa mais nada. Tanto faz.
Direi te quero sem falsos pudores.

Peça, simplesmente peça.
Serei o luar que te guia na noite sem estrelas.
Farei-me refúgio para tuas horas tristes,
o sol para aquecer os teus lábios molhados.
O mar onde navegue teus desejos.
Sucumbindo aos teus rompantes paixão.
Serei o furacão das tuas insanidades
O suor do teu êxtase, o cansaço
do teu corpo extenuado
a lucidez da tua insanidade.

Faça-me ser viva nas noites frias de inverno,
Que margeiam o fim da minha vida.
Pois nada mais tem sentido desde que
descobri este amor, que nasceu moribundo.
E, neste meu breve momento de lucidez
Peço-te que mesmo sem saber do meu amor,
Me ame.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Perdida numa tarde de inverno






é assim meio perdida que caminho por esta tarde de inverno.



nenhum motivo aparente, lembrei do blog, tadinho, solitário e com duas boas almas seguidoras, almas seguidoras amo vocês!
além de escrever, coloquei uma taça de vinho tinto seco uvas malbec, bom ou talvez razoável já provei melhor, este me parece com muito álcool, sei lá, não sou expert nisso.
também pequei meus cartões de visita, agora é distribuir por aí e deixar as pessoas felizes via estomago.
gosto de começar as frases com letras minúsculas seria isso um problema além de erro gramatical? não me importo, gosto e pronto.
hoje fiquei tentada a comprar o dvd de Eclipse na barraquinha da esquina, odeio pirataria, mas quase cedi ao desejo, porém meu lado racional, graças, foi mais forte!
tarde nublada e estranha será meu espelho, eu nublada e estranha, perhaps e não venha implicar com meu perhaps, gosto também.
Pensamento tolo: "Se a vida fosse boa, não morreríamos no final!" quem disse isso? eu.
Hora de pensar em fazer algo útil nesta terça-feira, que tal dar um pulinho na academia e retomar os treinos, estou precisando, me faz falta, já estou liberada p começar de novo, sendo assim lá vou eu.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Pensamentos e dúvidas triviais

"Relacionamentos, às vezes, são como casas velhas que tentamos inultimente reparar quando o certo seria demolir e erguer uma nova." (Elaine Brunialti)

- Gostaria de saber quando vou conseguir guardar tudo o que me interessa numa mala de viagem (inclui-se roupas, documentos, livros/dvds/cds) - é meu sonho!!!

- Meu Deus, por que juntamos tantas tranqueiras???!!!


Devo voltar aos meus afazeres!




De almoço hoje só um macarrão instantanêo.




"Prometemos melhorar:


Juro que não 'stou mentindo;


Boa noite, vou saindo.


Se aplaudirem, como amigos,


Puck os salva de perigos." (William Shakespeare)


segunda-feira, 19 de julho de 2010

para não passar em branco

!

Sina (Elaine Brunialti)
Infernos.
Sempre foram assim os amores de minha vida.
Demônios sorrateiros que cruzaram meu destino.
Consumindo e envenenando meu ser.
Meteoros errantes marcando o meu corpo.
Após a vertiginosa passagem pelo meu coração.
Assim, aprendi a cultivar a dor que consome os meus dias.
Dor que aos poucos produz a força do renascimento, e
tal qual Fênix renasço em esperança, a cada amor perdido.
Assim, renascida das cinzas geradas nas lavas do ódio,
e que transformadas em lágrimas, jorram dos olhos
vermelhos, carregados de mágoa e rancor.
Juro aos céus: “Renasci sim, vou amar sim, ser feliz sim."
Infernos.
Esse amor não foi diferente.
Ah! sina que me acompanha.
Mais uma vez, não me abandonou à sorte da felicidade.
Mais uma vez transformou minhas horas de amor em torrentes de lembranças tristes, que invadiram minh´alma.
Levando-me ao mais profundo dos infernos onde,
novamente, agonizarei de saudade, de dor e rogarei pelo fim.
Quando novamente, da força dessa sina que me guia
outro demônio surgirá. E na esperança da redenção
o chamarei meu amor...